• Nome scientifico: Vitex agnus-castus, Verbenaceae
  • Nomes em Nova Iorque: alfazemão, alfazema, alfazema-prima-da-maconha, *vence-tudo dos Hispanos
  • Outros nomes em português: Alecrim-de-caboclo, alecrim-de-angola, pau-de-angola, jureminha 
  • Nome em espanhol: Vencedor
  • Nome em Inglês: Vitex, chaste tree, chasteberry

 

  • Onde pode ser encontrada: Esta planta pode ser facilmente encontrada em todos os 5 municípios de Nova Iorque a partir da primavera até o início do inverno. Considerada uma planta ornamental pelos Americanos, ela é facilmente encontrada nas entradas de prédios, em parques, jardins comunitários e outras áreas verdes espalhadas pela cidade. Ela também pode ser encontrada em lojas de plantas, tais como as do ‘Flower District’ e no 'Union Square Market' de Quarta-feira. Durante o inverno, estas lojas talvez sejam a melhor opção. Às vezes é possível encontrar esta espécie em Botànicas com o nome de 'vencedor' (ver abaixo), mas isto é raro, pois na maioria das vezes, o 'vencedor' vendido nas botànicas é uma espécie muito parecida chamada Vitex trifolia. Veja maiores esclarecimentos abaixo.
  • *Nota sobre disponibilidade desta planta: 

Vitex agnus-castus é tradicionalmente conhecido em Cuba pelo nome 'vencedor'. Entretanto, uma espécie extremamente semelhante, a Vitex trifolia também pode receber este nome (veja os textos de Marie Melander na página de Outros recursos). Interessantemente, maioria das vezes que visitei botánicas no Harlem e no Bronx eu encontrei Vitex trifolia sendo vendida como 'vencedor'. Entretanto, em raras ocasiões, também vi Vitex agnus-castus sendo vendida com este nome. 

Distinguir Vitex agnus-castus de Vitex trifolia com base nas suas folhas, a única parte da planta geralmente disponível nas botánicas, é complicado.  Vitex agnus-castus possuem folhas com 5 a 7 folíolos (ou 'dedos') bastante finos, enquanto as de Vitex trifolia possuem folhas com 3 a 5 folíolos, os quais são um pouco mais grossos. 

 

  • Substituição do 'vence-tudo brasileiro' pelo 'vence-tudo dos hispanos':

Durante minhas pesquisas eu encontrei vários praticantes que usam o Vitex agnus-castus da mesma forma que no Brasil, e o chamam de 'alfazemão, alfazema-prima-da-maconha, etc'. Entretanto eu também observei que um outro número de praticantes também usa esta planta como ‘vence-tudo dos Hispanos’, em substituição do 'vence-tudo Brasileiro', o qual é extremamente difícil de encontrar em Nova Iorque. 

Substituições de espécies que não são mais disponíveis por outras semelhantes foi um dos principais estratagemas usados pelos Iorubas e outros Africanos para se adaptarem à flora do Brasil. Por favor note que a substituição de uma espécie por outra não é necessariamente errado. As vezes, é a única forma de evitar que um conhecimento acabe sendo erradicado, o que pode acontecer quando há falta de material vegetal.

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4 Responses

  1. Jurema
    | Reply

    Olá bom dia!
    Sabe onde encontro essa planta em São Paulo???
    Obrigada

    • Fabiana
      | Reply

      Se vc quiser usa-la viva, acho que vai ser mais facil procura-a em casas de jardinagem especializadas. Infelizmente não me lembro de vê-la crescendo um muitos jardins em São Paulo. Mas fazem muitos anos que me mudei de la, então pode ser que tenha mudado. Se vc não conseguir encontrá-la em casas de jardinagens, tenta online com o nome de Vitex ou Arvore da Castidade. Ultimo caso, tente entrar em contato com algum jardim botanico da cidade e pergunte se eles poderiam te vender/doar uma muda. Decadas atras havia um pequeno jardim botanico com espécies medicinais no Insituto de Biociências da USP. Se você conseguir, deixa um comentario aqui pra gente, caso alguém também queira encontra-la. De fato, esta é uma planta muito especial. Obrigada pela visita!

  2. Vânia
    | Reply

    Olá, tudo bem?
    Gostei muito do seu artigo, parabéns! No Maranhão, sobretudo na região da Ilha de São Luís, não é muito difícil encontrar essa linda e dolorosa planta. Aqui, a chamamos e pau d’Angola. Em razão disso, gostaria de saber se você conhece algum elo, alguma relação desse arbusto com o país africano. Desde já, super obrigada!

    • Fabiana
      | Reply

      Ola! Nossa, pergunta maravilhosa! Enquanto estava fazendo o meu estudo sobre Candomble em Nova York, eu me fazia esta pergunta o tempo todo. Eu revirei a literatura de Etnobotanica do Candomble e infelizmente eu não encontrei nenhum relato na literatura explicando este nome. Eu fiquei fascinada com esta planta e este nome porque aqui temos um exemplo de uma planta Europeia/Asiatica antiguíssima usada nas Americas com um nome Africano. E mais interessante ainda, com um mesmo uso muito peculiar – tanto Gregos da Antiguidade Classica quanto adeptos do Candomble atual a usam para forrar a cama de iniciados. Respondendo sua pergunta, eu consigo pensar em duas possibilidades: 1. Ao chegarem no Brasil, os Bantus (de Angola) provavelmente adotaram esta planta no seu arsenal farmacopeico a partir de plantas trazidas pelos imigrantes Europeus, e dali, ela foi adotada por outras culturas através dos Bantus, e por isso manteve o nome “de Angola”. 2. A planta foi introduzida na cultura Bantu em Angola através dos Portuguese, e quando os Bantus chegaram no Brasil a encontraram e obviamente a reconheceram, e dali ela foi introduzida em outras culturas através deles, mantendo o nome. De qualquer forma, o nome sugere que os Bantus a usavam muito e a repassaram para outras culturas aprenderam o uso com eles. Temos relatos de ambos os casos na literatura. Os Africanos eram grandes conhecedores de plantas e ao chegarem no Brasil, adotaram e descobriram novos usos de muitas especies nativas do Brasil e/ou introduzidas. No seu livro “As Plantas Medicinais e o Sagrado. A Etnofarmacobotânica em Uma Revisão Historiográfica da Medicina Popular no Brasil”, a Dr. Maria Theresa L A Camargo discute muito este assunto. Espero que tenha contribuido. Nomes de plantas nos dizem tantas coisas! Muito obrigada pela visita!

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